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| por Jorge Tomé Santos / 10.01.2010 |
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Em 2009, assim como quem não quer a coisa, fechou mais um cinema em Lisboa. Bem, para ser honesto não posso afirmar que a sala fechou, mas após as férias de Verão o cinema Nimas deixou a exibição comercial der filmes e transformou-se no “Espaço Nimas”. Nas palavras de Zé Maria, o responsável pelo projecto, este espaço não terá uma programação definida, mas irá funcionar com espectáculos ocasionais, que podem ir desde a música ao teatro, bem como qualquer outro tipo de performances artísticas. Pessoalmente, desejo-lhes sorte, mas no fundo do meu coração sinto-me triste. Na época antes do 25 de Abril, a expressão “vamos ao nimas”, queria dizer vamos ao cinema, mas com a abertura do cinema Nimas essa expressão acabou por cair em desuso; agora, “ir ao nimas” já implicava um destino específico. |
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A sala, com cerca de 200 lugares, abriu em 1975 com o filme QUE VIVA A REVOLUÇÃO dos Irmãos Taviani Soto, a que se seguiram títulos como CHOVE EM SANTIAGO de Helvio Soto, NÃO TOQUES NA MULHER BRANCA de Marco Ferreri, DAISY MILLER – UMA MULHER ÀS DIREITAS de Peter Bogdanovich, LA LUNA de Bernardo Bertolucci e NASHVILLE de Robert Altman. |
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| A primeira vez que entrei no Nimas foi em Dezembro de 1977 (tinha então 13 anitos), para ver a reposição de UM AMERICANO EM PARIS de Vincente Minnelli e só lá voltaria em 1979 para ver PIQUENIQUE EM HANGING ROCK de Peter Weir (um filme cheio de atmosfera, mas do qual não percebi nada). Daí para a frente, a sala passou a fazer parte do meu curriculum cinéfilo e por lá vi filmes como FÉRIAS MACABRAS de Dan Curtis com Bette Davis, O CASAL PERFEITO de Robert Altman, UM LUGAR NO CORAÇÃO de Robert Benton com Sally Field, PARA ALÉM DO MAL de Liliana Cavani, ARMADILHA MORTAL de Sidney Lumet com Michael Caine, CLASSE de | ![]() |
Lewis John Carlino com Jacqueline Bisset e Rob Lowe, GINGER E FRED de Federico Fellini, STAR 80 de Bob Fosse, GORILAS NA BRUMA de Michael Apted com Sigourney Weaver, O HOMEM QUE FAZIA MILAGRES de Richard Loncraine com Sting, LOUCA de Martin Ritt com Barbra Streisand, AGNES DE DEUS de Norman Jewison com Jane Fonda, BLADE RUNNER de Ridley Scott, NOITE DE ESTREIA de John Cassavetes, OS JUNCOS SILVESTRES de André Téchine e CORALINE de Henry Selick. Houve uma altura em que a sala passava sessões especiais à meia-noite (que saudades desses tempos), onde tive a oportunidade de ver filmes tão diferentes como O SÉTIMO SELO de Ingmar Bergman e o LITZOMANIA do Ken Russell. |
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O Nimas não era a melhor sala de cinema de Lisboa, mas era simpática e acolhedora, muito bem localizada e não tinha pipocas; o seu maior defeito era ter um ecrã demasiado grande para a dimensão do espaço. Mas presentemente, era a única sala de cinema lisboeta a funcionar a “solo”. Ou seja, era a única que não estava fisicamente agregada a um espaço comercial ou a um complexo de cinemas. A culpa do seu “encerramento” passa pelos cinéfilos que a abandonaram, mas também por uma programação pouco eficaz. Nos últimos anos, a sala era comercialmente explorada pelo grupo Medeia do Sr. Paulo Branco, tendo sido durante uma temporada de sucesso um local de excelência para o cinema francês, mas que ultimamente andava um bocado à deriva. A aposta em transformá-la num espaço para cinema de animação em 3D não resultou por óbvias razões; sem as barulhentas pipocas, as crianças preferiam ir a outras salas. Daí a tornar-se uma sala de reprise (exibição de filmes que acabaram de sair das ditas salas importantes) foi um pequeno salto e o resultado está à vista. Provavelmente o último êxito do Nimas, foi a exibição do clássico IMITAÇÃO DE VIDA, que esteve algumas semanas em exibição. O sucesso desse filme, leva-me a acreditar que o Nimas podia sobreviver como uma sala especializada na reposição de clássicos e na exibição de cinema de culto. |
Lisboa é, provavelmente, uma das poucas capitais europeias que não tem uma sala de cinema do género e acredito que os cinéfilos alfacinhas a iriam acarinhar. Por muito bom que seja poder ver esses filmes em casa, não há nada como vê-los no escuro do cinema. |
| Assim, para terminar, aqui fica uma sugestão (espero que chegue aos ouvidos do Sr. Paulo Branco). Reabrir o Nimas como um local de recuperação da memória do cinema e de excelência para os cinéfilos. Para começar, aqui fica uma dúzia de títulos para 12 meses de cinema: OS SETE SAMURAIS de Akira Kurosowa, O ACOSSADO de Jean-Luc Godard, O HOMEM ELEFANTE de David Lynch, FÚRIA DE VIVER de Nicholas Ray, A BELA E O MONSTRO de Jean Cocteau, JANELA INDISCRETA de Alfred Hitchcock, A NOITE AMERICANA de François Truffaut, QUANTO MAIS QUENTE MELHOR de Billy Wilder, FELLINI 8 E MEIO de Federico Fellini (que está na base do musical NINE), RIO BRAVO de Howard Hawks, BARRY LYNDON de Stanley Kubrick e REPULSA de Roman Polanksi. Nas sessões da meia-noite de Sábado, o cinema fantástico e de culto podia marcar presença com filmes como DARK STAR de John Carpenter (inédito comercialmente em Portugal), PIRANHA II: O PEIXE VAMPIRO de James Cameron (o seu primeiro e pior filme), MASSACRE NO TEXAS de Tobe Hooper (o histérico original), OS REVOLTADOS DO ANO 2000 de Narciso Ibáñez Serrador ou mesmo HOLOCAUSTO CANIBAL de Ruggero Deodato. Estou certo que esta vertente cinematográfica podia coexistir pacificamente com o novo “Espaço Nimas”; no fundo acho que se podiam completar. Seja como for, o meu desejo e esperança é que o Nimas não encerre as suas portas e que o cinema volte ao mesmo. Vamos ao Nimas! |
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