por Jorge Tomé Santos / 12.03.2011

JOHNNY WEISSMULLER É TARZAN

Ainda se lembram do Tarzan? Aquele gajo musculado que saltava de liana em liana, andava de elefante, dava um famoso grito, tinha uma amiga chamada Cheetah, lutava com crocodilos e leões, e tornou célebre a frase “Me Tarzan you Jane”?

Bem, para mim Tarzan só há um, o Johnny Weissmuller e mais nenhum. Descobri o seu universo faz já muitos anos, em 1976. Tinha então 12 anos e, no extinto cinema Caleidoscópio, exibiram um delicioso “Festival Tarzan” (sim, nesse tempo era possível ver filmes destes no cinema) com 5 dos mais famosos filmes do Weissmuller. Foram eles A FUGA DE TARZAN, O TESOURO DE TARZAN, TARZAN EM NOVA IORQUE, TARZAN E AS AMAZONAS e TARZAN E A MULHER LEOPARDO.

O mais divertido era a sua aventura em Nova Iorque, com o clássico mergulho que Tarzan dá da ponte de Brooklyn para o rio Hudson. Mas o meu preferido foi sempre o mais negro da série, onde uma mulher leopardo semeava o terror e a morte pela selva. Mas foi um enorme prazer descobrir todos estes filme no cinema; muitos deles voltariam individualmente ao Caleidoscópio, bem como outros títulos da série.

Com medo de não conseguir bilhetes para ver os cinco filmes (custavam 20 escudos cada um, o que para altura não era muito barato e os meus pais viviam com algumas dificuldades) comprava sempre o bilhete para o próximo título no dia em que via o anterior. Um dia, lembro-me tão bem como se fosse hoje, saí de casa a correr para apanhar o autocarro e quando cheguei à paragem descobri que me tinha esquecido do bilhete em casa. Entrei em pânico, não tinha assim tanto tempo para chegar ao cinema, e corri de volta a casa. Peguei no bilhete e descobri que nunca iria chegar a tempo de ver o filme de início, as lágrimas vieram-me aos olhos e a minha mãe deu-me dinheiro para apanhar um táxi, que saiu quase tão caro como comprar outro bilhete. Essa foi a primeira vez que andei de táxi sozinho e, desde essa altura, confirmo sempre 20 vezes se tenho os bilhetes no bolso antes de ir para o cinema.

Pouco tempo depois, nas tardes de Domingo, a RTP1 passou toda a série protagonizada por Weissmuller e não falhei um. Nessa altura a televisão ainda passava cinema a horas decentes e enchia de magia as tardes de putos cinéfilos como eu. Que saudades tenho dessas matinés.

OUTROS TARZANS

Anos mais tarde, vi outras versões do Tarzan. Uma dos anos 50 com Denny Miller como Tarzan, uma dos anos 80 onde a estrela era a boazona da Bo Derek a fazer de uma Jane que assediava sexualmente o pobre do Tarzan (Miles O’Keeffe). Uma versão mais séria, GREYSTOKE, A LENDA DE TARZAN, O REI DA SELVA, dava-nos um musculado, de olhar meio vesgo, Christopher Lambert como Tarzan; mas o melhor eram os macacos criados pelo mestre de maquilhagem Rick Baker; tenho que confessar que adorei quando o vi em estreia. Julgo que a última versão que vi foi a da Disney, onde achei que as canções de Phil Collins pouco ou nada tinham a ver com o filme. Mas nenhum deles captou a minha imaginação como esse Festival que vi no Cinema Caleidoscópio.

 


 

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